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2/4/2008 OBRA DA ROTUNDA DE MONTELAVAR
MEMÓRIA DESCRITIVA
O conjunto escultório de Evolução é composto por três elementos de pedra, com linhas geométricas, sustentados por uma coluna interior de metal. O todo forma uma coluna que projectando-se no espaço integra-se neste, dinamizando e simultaneamente transformando o meio envolvente.
Cada elemento simboliza um módulo geracional onde, esculpidas na matéria, as diversas silhuetas de formas humanas retêm o gesto, remetendo-o subtilmente para o módulo superior.
O primeiro módulo apresenta-se como suporte do segundo e este do terceiro, sugerindo ao imaginário de quem olha uma coluna sem términu na qual se inscreve a vida e o seu mágico ciclo de eterno retorno, desde o princípio dos tempos.
A visão do conjunto, captando o essencial, insinua uma aparente simplificação das formas que reforça e fortalece a dureza da pedra. As figuras humanas esculpidas, dentro do bloco de pedra, realçam volumes internos, que num acto de domínio da matéria, criam uma tensão permanente entre os corpos esculpidos e as faces planas dos elementos geométricos.
Cada corpo, desbastado no bloco, esculpido na pedra dura pelo cinzel, incorpora personagens reais, capta vivências do quotidiano, herdades no subconsciente colectivo.
A escultura tem como matéria principal o Lioz, pedra natural da região, que a população sente como um elemento de auto referência pessoal e cultural, quase, indissociável do seu dia a dia sócio - laboral. O ferro, matéria não predominante mas não menos simbólica, aparece metaforicamente como signo de evoluções industriais e tecnológicas, fazendo a ligação entre ciclos geracionais.
A escultura tem a configuração de um paralelepípedo quadrangular. A altura total é de 4,20 m e 1 m de lado. As dimensões escolhidas, que pressupõem uma escala monumental, não deixam de se enquadrar harmoniosamente com o espaço envolvente.
EVOLUÇÃO
Texto de Rosália Maçã
Evolução remete à gesta criadora do Homem que, desde o princípio dos tempos, fazendo uso de materiais e técnicas, imprime nas coisas do mundo a marca do seu ser no mundo e do seu ser no mundo. Nos seus corpos fragmentados, esculpidos na pedra a cinzel, perpassa a memória aquétipa de todos os que um dia trabalharam a pedra e o ferro.
Fazedores dum mundo que foi seu, alquimistas do mundo que é o nosso, prenúncio de mundos que anunciam ruminosos futuros imbuídos da espiritualidade das linguagens criativas ainda por inventar. A sua força simbólica afixa aprisionada na matéria a vitalidade que pulsa em cada geração, em cada ser humano.
Evolução estabelece primordial simbioso entre matéria, homem e meio envolvente. A alternância sucessiva das estruturas geométricas de mármore e ferro sugerem metaforicamente a sucessão de ciclos cósmicos vitais. O fluxo dialéctico do seu movimento espaço – temporal é transfigurador das realidades concretas e materiais.
Da concepção fragmentária de Evolução imana a força criativa e espiritual que redima a humanidade, libertando-a do caos aparente, elevando-a à transcendência metafísica que substitui o efémero pelo retorno de novos ciclos geracionais.
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